Raymond Vermeulen, empresário de Max Verstappen, fez questão de reconhecer publicamente o quanto o tetracampeão mundial transformou a relação dos Países Baixos com a Fórmula 1. Segundo ele, antes da chegada do piloto da Red Bull à categoria, o automobilismo vivia praticamente esquecido no país, sem qualquer figura capaz de mobilizar os torcedores.
Em entrevista à revista Formula 1 Magazine, Vermeulen lembrou que os neerlandeses sempre tiveram um espírito patriótico forte, algo visível também em outras modalidades, como o futebol e a patinação nos Jogos Olímpicos. Para quem acompanha o esporte de perto - seja assistindo às corridas ou testando a sorte em algo como o crash que paga em plataformas de entretenimento digital - a comparação ajuda a entender a dimensão do fenômeno criado por Verstappen dentro e fora das pistas.
Antes do piloto da Red Bull, o histórico neerlandês na F1 era discreto. Dos 18 pilotos que já representaram o país no Mundial, 15 não somaram nem 30 corridas na categoria. Jos Verstappen, pai de Max, era até então o nome mais relevante, ainda que com números modestos: apenas dois pódios em 107 corridas disputadas entre 1994 e 2003.
Um sono que durou décadas
“A F1 ficou em um longo e profundo sono nos Países Baixos. Depois de Jos, as coisas foram um pouco difíceis em termos de sucesso neerlandês”, disse Vermeulen. Ele destacou que a trajetória de Max, um piloto que “virou a ordem estabelecida de cabeça para baixo”, teve um impacto gigantesco sobre a forma como o público local passou a acompanhar o esporte.
O empresário também citou a volta do Grande Prêmio dos Países Baixos ao calendário, em 2021, depois de 36 anos de ausência. O circuito de Zandvoort voltou a fazer parte do Mundial impulsionado justamente pela popularidade crescente de Verstappen, que se tornaria, pouco depois, tetracampeão mundial.
Zandvoort como símbolo da mudança
“Nós, neerlandeses, podemos ter um orgulho enorme do retorno do GP a Zandvoort. Durante muito tempo, ninguém teria ousado sonhar com isso”, afirmou Vermeulen, ressaltando o efeito econômico e social gerado pela etapa no país. Segundo ele, as vitórias de Max na pista holandesa ajudaram a consolidar toda uma microeconomia em torno do evento, de hotéis a comércio local.
Entre os dias 21 e 23 de agosto, a Fórmula 1 realiza a edição deste ano do GP dos Países Baixos, que marca o retorno do calendário após o período de férias da categoria. Para Vermeulen, a corrida representa mais um capítulo de uma história que, segundo ele, só existe no nível atual por causa da influência direta de Verstappen sobre o esporte em seu país.