Jannik Sinner

Sinner domina com o saque e avança às semifinais de Wimbledon sob calor intenso

Sinner domina com o saque e avança às semifinais de Wimbledon sob calor intenso

No All England Club, em Londres, o calor chegou exatamente quando o torneio mais exige de seus protagonistas. Jannik Sinner, campeão defensor e número 1 do mundo, avançou às semifinais de Wimbledon após superar o alemão Jan-Lennard Struff por 7-5, 7-6(4) e 6-3, numa partida em que o seu saque funcionou como escudo e lança ao mesmo tempo. Com temperaturas próximas de 31°C previstos para a sexta-feira, o italiano de 24 anos pode enfrentar Novak Djokovic, 24 vezes campeão de Grand Slam, numa batalha que promete testar não apenas o tênis, mas também a resistência física do cabeça de chave número 1.

O calendário desta temporada exigiu muito de Sinner antes mesmo de Wimbledon. Depois de uma sequência dominante - títulos em Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Madri e Roma - o italiano desmoronou no calor sufocante de Roland Garros, abandonando na terceira rodada com cãibras severas contra Juan Manuel Cerúndolo. Ele entrou em Wimbledon sem jogar uma partida competitiva desde Paris, o que explicou certa ferrugem nos duelos iniciais. Vale notar que esse período intenso de competições coincide com movimentações relevantes no mundo do esporte em geral - inclusive, para quem acompanha o mercado do futebol, é possível entenda a abertura da janela de transferências e como ela se desenrola com a Copa do Mundo no centro das atenções globais.

Contra Struff, os números do saque de Sinner foram categóricos: 16 aces, 65% de aproveitamento no primeiro serviço e 84% dos pontos ganhos quando o saque entrou. Mais revelador ainda: quando Struff conseguia devolver o primeiro saque, Sinner ainda vencia 69% dos pontos disputados em sequência. O alemão, que combina saque potente com instinto de voleio e pressão para a rede, nunca encontrou a janela de que precisava para desestabilizar o rival. Em quatro partidas disputadas neste Wimbledon, Sinner já acumulou 81 aces - o equivalente a cinco games "gratuitos" por jogo.

O metrônomo que substituiu o dominador da linha de fundo

Sinner não é, neste momento, o mesmo jogador que destruiu adversários da linha de fundo no início da temporada de saibro. Há irregularidade no seu jogo de fundo, especialmente no forehand, e ele próprio reconhece que o ritmo ainda não voltou completamente. Mas o saque transformou-se numa válvula de escape tão eficaz que os rivais se veem presos numa armadilha: nem podem depender de que o primeiro serviço falhe, nem conseguem fazer algo produtivo quando ele entra.

Essa transformação tem raiz numa decisão técnica tomada em 2022. Sinner abandonou a postura de plataforma - pés afastados antes do salto - e adotou a postura de pinpoint, com os pés juntos. A mudança permitiu que ele saltasse alguns centímetros a mais e batesse na bola com um ângulo descendente mais acentuado. O impacto foi imediato e duradouro: na final do Australian Open de 2024, Djokovic - o melhor devolvedor da era moderna, com exceção talvez de Andre Agassi - não conseguiu nenhum break point em toda a partida. Foi a primeira vez na carreira do sérvio que isso ocorreu num jogo de cinco sets.

Um gráfico de dispersão dos pontos de contato dos adversários ao devolver o saque de Sinner neste Wimbledon é revelador: a grande maioria dos pontos cai fora ou na borda das linhas laterais do corredor. Sinner raramente ataca o corpo do adversário. Mais da metade dos seus primeiros saques sequer é devolvida. Com 66% de aproveitamento no primeiro serviço e 85% de pontos ganhos quando ele entra, o italiano é o líder absoluto nesse quesito no torneio.

O calor como adversário invisível nas semifinais

A questão que paira sobre o All England Club não é exclusivamente técnica. O calor previsto para a sexta-feira - e a possível semifinal contra Djokovic sob sol aberto - representa o verdadeiro teste para Sinner. Antes do torneio, ele e sua equipe admitiram ter investido em treinos específicos para condições de calor, buscando adaptar o organismo a um circuito que parece se tornar mais quente a cada temporada. No entanto, após a eliminação em Paris, Sinner chegou a minimizar o impacto do clima, recuando só mais tarde e admitindo que o problema era real e precisava de solução.

Naomi Osaka, no torneio feminino, tem oferecido um contraponto interessante a essa narrativa. A japonesa, que sempre enfrentou dificuldades na grama, está dominando adversárias com saques que alcançam os 190 km/h nas linhas. É um lembrete de que na grama de Wimbledon, onde a bola raspa e desliza em vez de subir, um saque devastador pode redefinir completamente o perfil de um jogador - independente de como ele performa nos trocamentos de fundo.

Sinner foi direto ao ponto quando questionado sobre a pressão crescente da segunda semana. "Há definitivamente mais tensão. Ao mesmo tempo, estou muito feliz com onde estou agora", disse o italiano. Sobre a preparação para o calor: "Fizemos uma boa preparação. O que aconteceu no passado já foi. Agora vemos se encontramos uma solução. Se não, continuamos trabalhando para a próxima." Se o saque seguir funcionando como fortaleza e o jogo de fundo encontrar algum ritmo, Sinner tem as ferramentas para defender o título. O calor e Djokovic vão responder.